Acabo de chegar de Portugal... Desta vez fugindo da rota turística, de hotéis, para ver e conviver com a gente do lugar. Alugamos uma casinha no interior (Arco de Valdevez), um vale cercado por montanhas e pertinho do parque do Gerês, um lugar muito bonito. Tomamos banho numa cachoeirinha junto com as crianças da aldeia, conversamos com os vizinhos, e despertamos com os galos e as vizinhas colhendo o milho. Fomos a cidade de Ponte de Lima com largas avenidas, a Arcos de Valdevez menor e mais aconchegante, e muitas aldeias pequenas como Soajo. A base da economia local é a agricultura de subisistência: milho, uvas(vinho verde), verduras, frutas, e cabras e ovelhas andando pelas ruas... Fazia um calor horrível 39º!!! Mas, mais que conhecer novas paisagens queria entender algumas coisas:
- Tomamos café-da-manha em uma padaria em Arcos e no tiket estava escrito 23% de IVA!!! Nao sei como os Portuguêses chegam a fim de mês... Nao sei como ainda nao montaram uma revoluçao...
- Outro tema que me chamou a atençao foi a péssima sinalizaçao principalmente nas carreteras secundárias(as que nao sao pagas, e só isto já explica algo, ali e aqui!). Andar por elas se converte em um verdadeiro quebra-cabeças, e o que é pior as pessoas também têm muita dificuldade em te explicar como chegar a algum lugar. E isto me deu muito o que pensar... Eu recordei a minha infância e do péssimo sentido de direçao que tinha e das infinitas vezes que me perdi... Por que pasa isto com os portuguêses?! Talvez a resposta venha de mais atrás. Portugal esteve muito tempo em guerra com o único país (Espanha)que lhe permitia o passo via península com os outros países de Europa e isto se nota ainda hoje nas inúmeras fortalezas construidas em ambos lados da fronteira. Deixando a Portugal como única opçao atravessar o atlântico para romper o ostracismo.
Portugal e Espanha viveram e vivem hoje problemas parecidos e penso que seus govenantes estao sacando proveito do medo oculto que as pessoas têm da guerra, da ditadura, da fome... E como dizia o poeta (Artur da Távola) o medo paralisa. E assim estamos! Necessitamos formar coletivos, discutir, trazer a luz nossos fantasmas, buscar soluçoes juntos e mais que nunca "tender puentes".
Benvida familia!!!
ResponderExcluirComo sempre, lúcida, Sarinha. E no medio desa desconfianza e desprezo entre portugueses e españois, os galegos: bechos raros, españois de segunda, pantasmas do pasado???
Ah! E a ver cando penduras no blogue alguna foto desas paisaxes do Geres.
Bejinhos